Um assassino de aluguel, um celular desaparecido, um prisioneiro escondido no porão e um detetive que aparece bem na hora errada — se isso não parece o enredo de um K-BL comum, é porque não é.
“The Lie We Lived In” chega para injetar suspense e reviravoltas na linhagem dos K-BLs. Uma sequência de acontecimentos coloca um assassino contratado e um detetive sob o mesmo teto, dando início a um jogo de gato e rato em que as mentiras se misturam a sentimentos reais. A questão é: quem é o gato e quem é o rato nessa história?
“The Lie We Lived In” mostra o que acontece quando alguém se acomoda demais dentro da própria mentira. Aqui estão cinco motivos para dar uma chance a esse novo BL coreano.
Aviso: spoilers leves dos episódios de estreia a seguir.
1. Tudo começa com uma mentira

Nada torna um thriller mais tenso do que uma mentira que sustenta toda a trama e que vai saindo do controle pouco a pouco — e é exatamente isso que acontece aqui.
A trama começa com o assassino de aluguel Seo Yi Do (Kim Seung Beom) caçando seu alvo, Heo Dong Hwa (Lee Jeong Ho). O que era para ser uma missão simples muda de rumo quando o chefe de Yi Do ordena que ele mantenha Dong Hwa vivo até encontrar um celular escondido dentro da casa da vítima.


Sem conseguir localizar o aparelho nem arrancar informações de Dong Hwa, Yi Do o tranca no porão. É nesse momento que o plano de Yi Do toma um rumo ainda mais inesperado: o melhor amigo de Dong Hwa, Chu Tae Jeong (Kim Gyeong Min), aparece na porta, explicando que já havia combinado de passar a semana hospedado na casa do amigo.

Tae Jeong assume de imediato que o homem que encontra na casa de Dong Hwa é o irmão mais velho dele, que vivia no exterior — e Yi Do, sem alternativa, entra no jogo para manter sua identidade escondida.
Quando Yi Do relata a situação ao chefe, recebe uma segunda ordem de execução. Só que dessa vez as coisas não vão ser tão simples.


2. O casal principal é uma combinação improvável

Como se a situação já não estivesse complicada o suficiente, tudo piora quando Yi Do encontra um uniforme de polícia entre as coisas de Tae Jeong. Notícia nada boa para um assassino de aluguel disfarçado de outra pessoa, com um prisioneiro escondido no porão.


Um policial de bom coração que preza pela justiça e um assassino que só sabe seguir ordens: parece uma combinação impossível, mas o gênero BL adora esse tipo de aposta improvável. O relacionamento dos dois pode ter nascido da mentira, mas a química entre eles é genuína.


3. Não é mais um romance escolar ou de escritório

É verdade que boa parte dos K-BLs aposta em clima leve, ambientes de escritório, colégio ou cenários parecidos — e vários dos maiores sucessos do gênero nasceram justamente desse molde. Mas quando o K-BL rompe com essa fórmula, o resultado costuma ser algo único, como é o caso aqui.

Em termos de enredo, não existe atualmente nenhum outro BL coreano com uma proposta e atmosfera parecidas com as desta produção. A comparação mais próxima talvez seja com “Long Time No See”, de 2017 — um K-BL discreto lançado numa época em que o gênero ainda não tinha a visibilidade que tem hoje.
4. A tensão é realmente de matar

Se tem algo que essa produção entrega bem, é tensão. Acompanhar a interação entre os protagonistas dá a sensação de andar sobre cascas de ovo, porque tudo pode mudar de figura em qualquer cena.
E, surpreendentemente, o ponto mais tenso da trama não é nem a parte criminosa nem o ângulo do assassino contratado. É a dinâmica entre um criminoso escondido à vista de todos e um detetive que começa a notar pequenos detalhes que não se encaixam — ao mesmo tempo em que se sente cada vez mais atraído por ele.


Enquanto isso, Yi Do precisa manter Dong Hwa vivo, continuar procurando um celular que parece impossível de achar e ainda conter as suspeitas crescentes de Tae Jeong. Muita coisa para equilibrar ao mesmo tempo.


Se já faz tempo que você não vê um K-BL em que é impossível prever o final ou a próxima atitude dos personagens, essa produção promete manter você em alerta do início ao fim.
5. …Mas também é engraçado
A premissa pode ser de thriller, mas a comédia situacional garante momentos bem leves no meio de tanta tensão.
Imagine um assassino sombrio e estoico no meio de uma operação secreta, e um policial alegre e sem nenhuma má intenção que chega pensando ter encontrado um amigo de infância perdido há anos. A situação é completamente absurda — e é justamente por isso que a comédia funciona tão bem.
Os dois estão, literalmente, em sintonias completamente diferentes.


Logo que Tae Jeong chega, ele se mostra extremamente educado e simpático, feliz por reencontrar um velho amigo e ter onde se hospedar. Enquanto isso, Yi Do entra em pânico tentando lidar com a situação inesperada. Yi Do claramente não sabe como agir perto de alguém tão sincero e falante — e isso fica evidente em cada cena.



Para uma trama que começa com um assassino em missão de matar e capturar, os momentos de humor acertam ainda mais porque os personagens nem estão tentando ser graciosos. A produção sabe exatamente como inserir um toque de leveza numa situação séria.




